Eu tinha prometido para mim mesma que NÃO iria comprar o álbum da Copa.
Entre figurinhas repetidas, pacotinhos e memórias afetivas, entendi que o álbum da Copa vai muito além do consumo. Um texto sobre infância, equilíbrio e experiências em família.
Escrito por Flavia Guimarães

"As crianças não precisam ter tudo. Mas também não precisam ficar de fora de tudo."
Na minha cabeça, era só mais um gasto. Mais uma febre infantil. Mais uma coisa que começaria pequena e depois viraria exagero.
Inclusive, no começo, pedi para ninguém comentar sobre o álbum com as crianças. O que, sinceramente, era impossível. Porque o assunto já estava em todo lugar: na escola, no bairro, entre amigos, grupos de família...
E então eu lembrei de mim mesma quando era pequena. Do quanto eu amava colecionar figurinhas. Da emoção de abrir um pacotinho. Da surpresa de encontrar uma figurinha diferente. Da troca das repetidas. Da sensação de participar de algo junto com todo mundo.
E percebi uma coisa: talvez a questão não seja evitar toda febre. Talvez seja ensinar como viver essas experiências com equilíbrio.
Nós compramos o álbum. Mas sem neurose. Sem obsessão para completar. Sem transformar isso em consumo sem limite.
A ideia é simples: abrir alguns pacotinhos, brincar, trocar figurinhas, viver o momento. Talvez um pacote essa semana. Outro na próxima. Pouco a pouco. Porque também existe aprendizado na espera.
As crianças não precisam ter tudo. Mas também não precisam ficar de fora de tudo. E acho que esse é um dos desafios da parentalidade hoje: encontrar equilíbrio entre limite e pertencimento.
No final, percebi que eu não estava comprando apenas figurinhas. Eu estava comprando memória afetiva.
E vocês? Também viveram alguma febre de infância que hoje entendem de outro jeito como pais?

Sobre a autora
Sou Flavinha, mãe do Lucas e da Bárbara, apaixonada por infância, brincadeiras e por criar memórias afetivas em família.
Saiba mais sobre mim